Ruza Amon
Editoriais | Tablóide Zaffari | Bourbon:
Edição nº 0 | Ano 15 | Fevereiro de 2010

» "O ritual de celebração da volta ao lar"

Quando as ondas do mar do último fim-de-semana de férias nos devolvem à praia do nosso dia-a-dia, tudo parece ter um sabor diferente. O reencontro com a casa e com a rotina doméstica é um ritual feito de pequenas e agradáveis descobertas. Ao abrirmos a porta, nos invade um sentimento de gratidão por todos aqueles objetos que ali estão, exatamente como deixamos ao sair, simplesmente à espera dos seus estimados e saudosos proprietários. Com um olhar cúmplice e carinhoso, passamos em revista tudo o que compõe o nosso lar, doce lar: móveis, roupas, eletrodomésticos, folhagens, livros, objetos de estimação... Até para aquela cortina que estava com seus dias contados somos capazes de dirigir um meigo suspiro de quem está de volta e deseja discutir melhor a relação. Não dá para esconder o fato de ser o colchão o mais festejado objeto doméstico durante a volta ao lar. Que saudades que sentimos dele, mesmo que durante o verão tenhamos experimentado portentosos king sizes de última geração! O mesmo se pode dizer do travesseiro, da luz de cabeceira, do espelho do banheiro ou até mesmo dos sons e odores típicos do lugar onde moramos, pois todos nos parecem perfeitos.

Porém, depois de se passar em revista os cômodos da casa, chega a deliciosa hora de anunciar nossa volta à rotina, a quem interessar possa. Planejar um encontro com amigos é uma urgência que supera até o processo de desfazer as malas. Afinal, é nelas que iremos encontrar os mais fortes vestígios de tudo que se viveu durante o período de férias e feriados, e qual será a graça se não pudermos compartilhá-los? Fotos, roupas típicas, artesanatos e lembrancinhas para quem nos espera com ansiedade vão saltando de dentro da bagagem, pedindo um acontecimento. Reunir a turma mais íntima é uma questão de vida ou morte. Vai ser jantar completo ou apenas uns ‘belisquetes’? O brinde será com espumante, cerveja ou com um simples ponche de frutas? Quem vai até a casa de quem? Vale tudo, topa-se tudo, desde que se possa trocar abraços e pequenos presentes, contar e ouvir as muitas histórias que encerram o período de viagens. Quem foi o fotógrafo oficial da estação, quem assou o melhor churrasco, quem pagou o maior mico quem arrumou namorado novo? Relatos bem-humorados, versões divergentes dos mesmos fatos e boas risadas compõem o primeiro tempo do encontro. Depois, vêm as fotos: “Aqui, se comeu uma moqueca dos deuses... neste dia, quase perdemos o voo... nesta praia maravilhosa, tomamos um banho de mar inesquecível... esta é a prima querida de quem te falei... olha a vista que temos da casa na serra...”. Voltar à rotina por completo só acontece depois que realizamos este maravilhoso ritual de balanço, com o doce e fiel testemunho dos nossos amigos mais íntimos. Voltar pra casa merece esta celebração.

 

Veja também:

» Coluna (Con)vivências
Revista Estilo Zaffari

» Editoriais
Tablóide Zaffari | Bourbon