Ruza Amon
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Edição nº 0 | Ano 15 | Janeiro de 2010

» "A moda é estar de bom humor"

Sabem o que acontece quando uma mulher desce do salto? Ela ganha conforto, faz um favorzinho para sua coluna vertebral, e fica de muito bom humor. Passar o dia se equilibrando sobre uma área de contato de não mais que um centímetro de diâmetro é tarefa pra lá de difícil, acreditem. Isso não significa que a gente faça feio, muito pelo contrário. Não haverá nenhuma estrutura mais adequada do que um salto dez para a mulher ‘mostrar a que veio’, desfilando com toda a graça e desenvoltura. Conheço uma centena de mulheres que participariam com os pés nas costas (desculpe o trocadilho) de uma olimpíada inteira a bordo de saltos altíssimos, disputando inclusive modalidades como corrida no cascalho, descida de escada em 100 metros rasos, salto sobre poça d’água, entre outras. Existem mulheres que usam salto porque se sentem mais seguras, outras porque acham que ficam mais sensuais, e tem aquelas que são simplesmente viciadas em salto alto. Para estas últimas, até o chinelinho de quarto tem que ter no mínimo uns cinco centímetros, e foi também para elas que já foram criadas sandálias de borracha com plataforma, e inclusive outra versão com salto agulha (essa parece que não ‘colou’).

Por outro lado, a rasteirinha chegou pra ficar e para salvar algumas almas. Há quem não goste de ver mulheres ao rés-do-chão, mas pergunte a qualquer uma que já tenha comprado uma única sapatilha ou sandália com salto zero se ela pretende parar por aí. A resposta é não! As rasteirinhas nunca mais sairão dos nossos closets!

Quanto aos homens, eles não têm saltos para torturá-los, mas são escravos das meias e dos sapatos fechados. Em pleno verão, abrir o armário à procura desta dupla faz com que se pense ardentemente naquela antiga propaganda de tevê que dizia “dê férias para os seus pés”. Certamente, este é o slogan do século. Dar férias para os pés significa metê-los num bom par de chinelos. Sejam de couro, plástico ou borracha, as sandálias de dedo, como são denominadas pelos fabricantes, por nós serão sempre chamadas carinhosamente de chinelos. Esta predileção tão brasileira correu o mundo, e atualmente, os chinelos de borracha são marca registrada do Brasil na moda internacional, ao lado dos biquínis, é claro. Macios, protetores, silenciosos e duráveis, eles vêm sendo fabricados em modelos e cores estonteantes. Ao menos para as mulheres, tornou-se impossível ter apenas um único par. Não bastassem as novidades vindas de fábrica, a moda entre as mulheres é incrementá-los com pedrarias, flores e pingentes. Os homens ainda não estão com esse pique todo na hora de turbinar seus chinelos, mas eu duvido que não se sintam seduzidos pelas novas coleções masculinas. O leitor que se levantar em defesa da fidelidade eterna a um velho e bom chinelo que já dure mais de duas décadas terá todo o meu apoio, pois fidelidade masculina, na minha opinião, é sempre comovente, seja ela qual for... E falando em fidelidade, o importante é que durante o verão todos nós tenhamos licença para botar os dedinhos de fora, proporcionando total liberdade a estes dois grandes amigos de todas as horas que são os nossos preciosos pezinhos.



 

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