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Ruza Amon
Coluna Con(vivências) | Revista Estilo Zaffari
Edição nº 41 | Ano 8 | Dezembro de 2006
» "Elogios que matam"
Cuidado! Sinceridade e criatividade podem ser fatais
No final do ano, ficamos todos mais sensíveis, mais dadivosos – efeitos da proximidade do Natal e das festas de confraternização. Até os arrogantes começam a ver mais gente do que de costume ao seu redor, tais como porteiros, copeiras, garçons, manobristas, seguranças... Que bom! Ao menos uma vez ao ano, surge a chance de se rever esse comportamento tão antigo que é negar cumprimentos a quem está servindo.
Mas eu queria mesmo era falar sobre o fenômeno exatamente contrário, o do elogio desastrado, aquele cheio de boa-intenção, porém fatal. Ai, como a gente dá bola fora! Eu, particularmente, tenho uma galeria de experiências desconcertantes, e quero me desculpar em público por tudo que já aconteceu e que ainda vai acontecer. Quem nunca deu um fora, levante a mão. Quem se considera o rei ou a rainha do vexame, entre na fila atrás de mim. Fim-de-ano, então, nossa! Haja repertório! Vêm aí as festas de empresa, os parentes que chegam em férias... O espumante rola solto e solta a língua também! Chegou a hora do grande festival de besteiras. Sabe aquela prima fofinha, que estava grávida? Não vá perguntar para quando é o nenê porque ele já pode ter nascido. E aquela tia, que troca de marido todos os anos, não vá abraçar o garotão que está ao lado dela, dizendo: “Primo, como tu cresceste!” E, por favor, para as mulheres a partir dos 45 anos, evite galanteios bem-humorados tipo: “inteirona”, “ainda dá um caldo”, “o segredo é o formol”, etc. Olha, tudo isso faz a gente imaginar que exista uma confraria, uma associação ou seita secreta se ocupando da contagem regressiva das mulheres rumo à decadência. Quem faz esse tipo de comentário parece um membro-fiscal da tal confraria, fazendo o levantamento das avarias da nossa carcaça. Soa como se fosse um mau agouro. Ah, e existe uma palavrinha maldita, proscrita, que jamais deve ser pronunciada na frente (nem nas costas) de uma mulher: con-ser-va-da. Ah, não! Reserve esse adjetivo para igrejas, estátuas e antiguidades. Quer elogiá-la? Diga apenas: “Tu estás linda!” ou “Como tu estás bem!” Todos os demais complementos são arriscados. A essas alturas, nem é preciso dizer que as expressões “como tu engordaste!” ou “como tu emagreceste!” estão fora de questão. Nem variações carinhosas, tipo: “tu deste uma engordadinha, né?” ou “ai, tu estás tão magrinha!”. Afinal, o que temos a ver com isso? E, por outro lado, a resposta nunca será:
– Puxa, é mesmo, não tenho espelho em casa! Ainda bem que te encontrei, senão jamais me daria conta! - Ou:
– Desculpa aí, foi mal... Prometo estar em forma na próxima vez que nos encontrarmos.
Sabe o que é mais curioso? As pessoas que tomam a liberdade de fazer observações sobre o peso das outras nunca estão no peso ideal.
Eu adoro encontrar amigos e conhecer gente nova. Porém, a cada encontro, atingimos um escore de acertos e outro de erros. Deixar de dar um fora de vez em quando é praticamente impossível, mas pretendo evoluir na arte do convívio. E até lá, por favor, me agüentem.
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